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Discurso(s)



Cláudio José Pasqualeto
04/04/2018

69º Aniversário de Emancipação de Dracena


DISCURSO DA SESSÃO SOLENE DO ANIVERSÁRIO DE EMANCIPAÇÃO DE DRACENA - 4 DE ABRIL DE 2018. Orador: vereador Cláudio José Paqualeto. A Câmara Municipal, como é tradicional, realiza esta comemoração, mesmo que antecipada, pelo aniversário de emancipação político-administrativa de Dracena. A data bastante relevante deveria ser muito mais comemorada e divulgada junto às nossas autoridades, escolas e à população. Como o 4 de abril não é feriado, muitos ficam alheios à importância da data. Quero nesta noite resgatar fatos históricos e acrescentar novas informações para uma melhor compreensão daquele momento de criação do município e sua efetiva instalação. E lá são se vão 69 anos de história da emancipação de Dracena. Como já foi bastante divulgado, Dracena surgiu em 1945, com sua fundação no dia 8 de dezembro para coincidir com o Dia da Imaculada Conceição. Tudo foi planejado para atrair novos investidores interessados nos lotes oferecidos pela Empresa Imobiliária Fioravante, Spinardi e Vendramim Ltda., que surgiu em Tupã. Era um momento de forte expansão da região Oeste Paulista e notadamente a Zona da Mata, ou seja, a nossa Nova Alta Paulista. Havia na época vários povoados surgindo, todos ligados ao município responsável por estas terras que era Lucélia. Lucélia foi fundada em 1939 e como município foi oficialmente reconhecido em 1944. Lucélia é conhecida como a “cidade mãe das demais cidades”, que foram surgindo posteriormente. A abrangência de Lucélia na época era até as barrancas do Rio Paraná, um município, portanto, de grande extensão territorial. Dracena era apenas um povoado ou território e assim ficou em 1946 e 1947. Porém, Írio Spinardi e demais fundadores queriam mais, sabiam que se Dracena não se tornasse município no final daquela década de 1940 ficaria para trás, pois havia dezenas de outras localidades prontas para crescer. A concorrência era muito grande. Chegou o ano de 1948, que foi fundamental neste contexto histórico. Na Assembleia Legislativa de São Paulo tramitavam dezenas de projetos de criação de novos municípios. Para se ter uma ideia, naquele ano foram criados 64 municípios de uma só vez, incluindo Dracena. O interessante que foi arquivado o projeto de criação do município que se chamaria Metrópole, que acabou se transformando num dos principais bairros de Dracena. Panorama também não conseguiu seu objetivo naquele ano. Antes da criação oficial de Dracena, Írio Spinardi teve um trabalho enorme para concretizar a sua ideia. Primeiro, pediu apoio para o senhor Souza Leão, fundador de Tupã, que tinha mais acesso aos deputados estaduais da época. Em contato com os deputados Dr. Antonio Sylvio da Cunha Bueno e Dr. Ulysses Guimarães, o fundador Írio Spinardi ficou sabendo que Tupi e Junqueirópolis estavam com processos mais adiantados e com apoio de padrinhos políticos. Os referidos deputados visitaram a nova região para ver o surgimento das cidades, inclusive, Dracena. Os próprios deputados não se entusiasmaram com a situação, pois havia poucas casas nos primeiros anos após a fundação. Mas, Írio Spinardi os convenceu da viabilidade do projeto, mostrando o hotel de dois andares em construção, rodoviária e vários prédios de alvenaria. Após a visita dos parlamentares, Írio Spinardi criou uma comissão para conseguir reunir informações e documentos e tudo mais que pudesse comprovar e justificar a criação do município. Houve momentos de aflição, ansiedade e até de dúvida se tudo aquilo daria certo. Até povoados vizinhos tentaram prejudicar o projeto de Dracena. O Diário Oficial da Assembleia, edição de 4 de maio de 1948, apresentou ata da comissão de estatística da Assembleia, com a relação de territórios que pleiteavam a criação dos municípios. Naquela publicação estava o requerimento 230, assinado por Ulysses Guimarães, com as seguintes informações: “Memorial dos moradores do território denominado Dracena, encaminhado pelo requerimento nº 230/1948, do deputado Ulysses Guimarães, solicitando a elevação do referido território à categoria de município”. A formalização do projeto foi mais um passo importante, porém ainda faltavam as 400 assinaturas de apoio, com firma reconhecida. Isso Írio só ficou sabendo 48 horas antes da votação do projeto. Foi um momento de grande desespero. Para se ter uma ideia da situação dramática, Írio teve que contratar um avião em São Paulo, com algumas latas de gasolina de reserva, até chegar a Garça já à noite e depois Lucélia. Ainda teve que convencer o piloto para chegar a Dracena ainda naquela noite. A aterrissagem em Dracena só foi possível graças aos poucos carros que acenderam seus faróis na pista de pousos. Naquela mesma noite houve reunião de emergência para a comissão de trabalho se organizar visando a coleta das assinaturas de apoio. Era uma corrida contra o tempo. O dia seguinte todo foi marcado por esta corrida pelas assinaturas. Até crianças assinaram a lista com seus nomes e de seus pais. Com a lista em mãos, Írio foi para Lucélia em busca do reconhecimento de firmas das assinaturas. Um detalhe: o cartório dirigido pelo capitão Mesquita tinha sido destruído por um incêndio. Írio teve que convencer o capitão a fazer o seu trabalho de reconhecimento de firmas para não inviabilizar o abaixo-assinado. Foi sob um clima de tensão e de ameaças para que tudo fosse feito no tempo certo. Írio seguiu para São Paulo, novamente de avião no próprio dia de votação do projeto e às 15h30 entregou o abaixo-assinado na Assembleia Legislativa. A votação foi por ordem alfabética, às 16 horas, e o projeto de Dracena acabou sendo aprovado. Foi um momento de forte emoção para Írio Spinardi e todos os demais envolvidos naquele projeto, não se esquecendo dos fundadores também, João Vendramim, Virgílio e Florêncio Fioravante. Através da Lei nº 233, de 24 de dezembro de 1948, (na véspera do Natal), o então governador Adhemar de Barros fez a promulgação e sancionou a legislação referente ao novo quadro territorial, administrativo e judiciário do Estado de São Paulo. Nesta lei 233 está a informação que o município de Dracena é criado com terras desmembradas do distrito de Tupiretama, ex-Gracianópolis. Na mesma lei, há a notícia da criação do distrito de Jaciporã Dracena tinha as seguintes divisas: com Pauliceia, Gracianópolis (hoje Tupi Paulista), Junqueirópolis, Santo Anastácio, Piquerobi e Presidente Venceslau. Ainda fazia divisa com os distritos de Jaciporã e de Ouro Verde. Após a criação do município no Natal de 1948, com uma grande festa, o próximo desafio era a realização da primeira eleição municipal e depois a instalação do município. Conforme o site do Tribunal Regional Eleitoral, a eleição do primeiro prefeito dos novos municípios ocorreu em 13 de março de 1949, abrangendo ainda as Câmaras de Vereadores. Não havia a figura do vice-prefeito. O fundador Írio Spinardi acabou sendo eleito o primeiro prefeito. Era candidato único, recebeu a totalidade dos votos, nenhum nulo ou em branco. A Câmara tinha 13 vereadores como hoje. Foram eleitos: Ázio Montecuco, Aparecido Enes Sobrinho, Arlindo Carnelós (que continua residindo em Dracena), Eloy Ferreira Duarte, Hildebrando Lippe, João Cícero, João Leal, José Antonio Mega, Jovino da Silva Dias, Messias Ferreira da Palma (o primeiro presidente do Legislativo), Mário Pagnozzi, Norberto Martins da Fonseca e Pedro Vítor da Silva. Os suplentes eram Bráulio Boleta, Geraldo Sabino de Oliveira, Joaquim Rodrigues de Barros, José Xavier Alves e Osvaldo Rodrigues de Barros. A posse do primeiro prefeito e 13 vereadores ocorreu em 3 de abril de 1949, com mandato tendo início em 4 de abril, que é a data que prevalece como o Dia da Emancipação Político-Administrativa de Dracena, que é a comemoração que fazemos hoje. Pelos relatos é possível imaginar como foram difíceis os primeiros anos após a instalação do município de Dracena. Tudo começou na estaca zero, mas graças ao empenho dos governantes, investidores e da população, as décadas foram passando e Dracena alcançou o patamar de cidade polo da região da Nova Alta Paulista. Nesta noite festiva queremos cumprimentar os integrantes das 17 legislaturas até hoje, prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, secretários, funcionários públicos em geral, autoridades, população, trabalhadores e todos que contribuíram para uma Dracena cada vez melhor. Quero, também, neste resgate de informações históricas acrescentar que o Hino a Dracena, essa obra-prima assinada pelo maestro Aécio de Féo Flora, surgiu só na década de 1960. Aécio veio para Dracena em março de 1960 e abriu a famosa Cantina Bologna. Com apoio do engenheiro civil Afrânio Gomar, criou em 1963 a Associação dos Amigos de Dracena. Dentro da associação, que funcionava num prédio na antiga Praça da Bandeira, surgiram a letra e a música do Hino a Dracena. A Associação dos Amigos de Dracena efetuou a doação da partitura original ao prefeito de então Florindo Tabacchi. A data oficial de composição do Hino foi 25 de novembro de 1964. O problema é que tempos depois a partitura desapareceu e o Hino a Dracena caiu no esquecimento. Apenas em 1967, por propositura do então vereador Magid Zacharias, e com aprovação unânime da Câmara de Vereadores, o Hino foi criado e resgatado. Foi através da Lei nº 697, de 21 de novembro de 1967, quando era prefeito Manoel Gomes Gonçalves, o Galeno. Através da Lei 1.240, de 17 de maio de 1978, do então vereador Carlos Roberto Marques, tornou-se obrigatória a execução do Hino a Dracena em todas as festividades e solenidades municipais. Portanto, o Hino a Dracena existe há 53 anos. E para fechar meu pronunciamento: O livro “Dracena e suas histórias”, organizado pelo professor Leônidas Ramos de Oliveira na década de 1980, publicou uma bela composição poética assinada pelo maestro Aécio de Féo Flora sobre Dracena e que foi muito pouco divulgada nas últimas décadas. A Ode a Dracena foi composta em 1965, na festa dos 20 anos de fundação de Dracena. A primeira declamação na manhã de 8 de dezembro ficou a cargo da professora Carmelina Barbosa em palanque na Praça da Bandeira. Acompanhe esta composição poética: Acorda, Dracena! Nas asas da glória Já tens tua história Escrita com suor E sangue jorrando De mãos que sangrando Sulcaram tuas terras Com fé e valor! Bom dia, Dracena! Acorda o teu filho Que adora teu brilho Teu céu e teu chão. Acorda tua gente Que a luta é ingente Mas, vem do trabalho Maior galardão! Bom dia, Dracena! Acorda o operário Escravo do horário Lutando no afã Do pão aos seus filhos Não vendo empecilhos No orvalho caindo No albor da manhã! Bom dia, Dracena! Gentis professoras, Fiéis condutoras Lutando por ver Nos sítios, nas roças, Cidade, palhoças, Num esforço inaudito Crescer o saber! Bom dia, Dracena! Os teus bacharéis Bem colhem lauréis Por firmes na liça. Teus juízes togados Tão cultos e honrados Julgando direitos Semeiam Justiça Bom dia, Dracena! Teus facultativos Cuidando dos vivos Com mostras de amor, Co’esforços sagrados Indo onde chamados A ver se conseguem Vencer uma dor! Bom dia, Dracena! Já vi teus pedreiros, Já vi teus seleiros, Em pé a lutar Vi teus alfaiates E até os mascates Que firmes na esquina Vêm te ajudar. Bom dia, Dracena! Tuas portas se abrindo Quais lábios sorrindo Com ares gentis E os teus comerciantes Alegres, confiantes Tão certos de terem Um dia feliz! Bom dia, Dracena! Igrejas e templos! Conselhos e exemplos Ali firmam pé. E vejo com isto Os tilhos de Cristo Cumprindo promessas Soberbas de Fé! Bom dia, Dracena! Ergueste sua gente, Caminha p’ra frente, Não volte atrás. E assim se compreenda Que estamos na senda De grandes progressos. SE AMARMOS A PAZ” Aécio de Féo Flora Muito obrigado a todos. Vida, Dracena!

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